quarta-feira, 1 de junho de 2011

Panos e mangas


A lua sai de Áries e eu saio de mim. Fecho-me como quem fecha loja para balanço. Eu em balanço. Pra lá e pra cá. Adoro balanços. Meu preferido ficava no jambeiro da casa que virou depósito. Depósito de construção. Eu em construção. Todo dia, um tijolinho a mais. Reparo em caibros e pinturas. O alicerce da casa é o mesmo. A fachada, não. Há que se refazer com o tempo. Há que se acompanhar o tempo. Trem passageiro. Enquanto eu sigo, o mundo não me acompanha. Ou eu não acompanho o mundo. Mundo diminuto. Eu, imenso balão ao céu, quebro regras não para ser anarquista. Quebro regras porque elas não me cabem. Há espaço em mim para o mar. Só o amor me preenche. De hora em hora, um cálice de amor até transbordar. Preencho as bordas que me cercam e vivo. Viva ao rei de Roma e sua indumentária vermelha. Desta vez, tenho mais panos para as mangas e tudo foi feito em não mais que cinco minutos.

Image by renton1313