segunda-feira, 21 de abril de 2008

dragões do jardim

Mudando as coisas de lugar e mantendo nossa gentil face de gratidão.
Obrigada por me amar. Eta frase patética. Parece que sou obrigação. Talvez eu seja mesmo. E lá vem a dúvida sobre o mesmo. Ela vem da cozinha e me traz biscoito de canela. Como a canela e a gente ri. Escritora, como foi mesmo que a gente chegou aqui? Ninguém responde. A gente tem essa telepatia - sabe o que a outra pensa. E como a gente pensa. Pensa e dorme. E eu escrevo coisa chata. Ela ri de novo e vai cuidar das crianças. Tem criança em toda parte. A gente é criança também.

Começa a conversa sobre o amor maior que é tão mortal. Alguém queima sutiã em passeata e a gente paga pelo resultado. Esse W.O. é insuportável. Amor é W.O.? Amor romântico da Austen, amor de morte da Plath e amor "sai de cima de mim" da Parker. Qual você prefere? Eu fico com a Parker, mas me aventuro no masculino da Austen. Ele tem raiva e aquele orgulho de homem nas roupas. Sou meio Liz Bennet. Gosto de complicar. E você, Maria? Que amor cabe em você? Ela sai e ri. Eu já sei. A gente se conhece. Ela gosta de amor "Here I stand Ironing". Você é igual à Marlene. Já sabia? Risada de longe - lá do jardim. Ela volta, a gente amarra um texto - texto foge. Amarra idéia e a gente é feminista, mas não se mata por amor. Coisinha escreve poesia porque quer homem. Coisinha escreve poesia copiada. Coisinha não viveu ainda a metade dos cabelos da gente. E a gente escreve e deixa derreter barra de chocolate. A gente já nasceu mulher. Ani DiFranco e Erin McKeown fazendo a gente acreditar. Caminho aberto e texto amarrado.


Alice escreve enquanto a Zélia Maria corrige cadernetas e provas. Provas são estranhas. Provam o quê?




















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