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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Meant to be



Faz tempo que nos encontramos embora nunca deixasse de te ver. Tu sempre estiveste em meu pensamento. Os pensamentos em que apareces são sempre os mais bonitos. Pensar em ti me faz feliz. Talvez, por isso, eu não tenha me esforçado o suficiente para te esquecer de verdade. Nunca cortei os laços contigo. Sei onde te encontrar a qualquer hora do dia ou da noite. É tua voz que ouço quando escuto What’s going on. Se quero te ler, pego o livro do poeta dos anjos. Não engordo para que tu não me aches diferente. Meu telefone, não mudei. Mudei apenas a cor da fachada de casa mas, isso eu já havia combinado contigo. Faz tempo que nos encontramos, mas eu ainda sei de ti. Sei do teu cheiro, da tua toalha por estender, das tuas revistas espalhadas pelo quarto, do cinzeiro sujo, da marca de garrafa de cerveja holandesa na mesa, da tua febre sem aumento de temperatura, da tendinite de origem videogamica. Sei, ainda, até do que é bom. De como tu me agarravas forte, do teu tremor dentro de mim, do andar na rua de mãos dadas, do esperar o outro para comer, do filme assistido juntos, da música nova compartilhada, do ciúme disfarçado. Ainda sei de ti porque tu não te deixas esconder. Faz tempo que faz tempo que não somos mais. E tu voltas dizendo que parece que foi ontem. Foi ontem mesmo. O tempo não existe. Ele é invenção nossa. É desculpa que usamos como bem queremos. Tempo não combina com amor. Amor é eterno. Por isso, tu voltaste. Eu sabia que tu voltarias. Cá estou. Entendo de ti como entendo de poemas e poetas. Poetas fingem que sabem fingir e os poemas escondem o que querem contar. Entra. A porta está aberta. Não se pode fugir do que está escrito. 


Image by Ciclomono on Deviantart

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Benevolação



. Ponto. Ponto final. Você entende? O ponto final é o sinal de pontuação utilizado para determinar o final de uma sentença. É o indicador de pausa absoluta depois daquilo que se quer dizer. Você sabe que eu sempre digo o que quero dizer. Digo agora: tudo acabado entre nós. Não é hoje e nem é madrugada. Porém, tudo acabado entre nós. O que está acabado entre nós acabou ontem e, agora, o dia se faz claro. Não era isso que você queria? Que cada um seguisse o seu rumo? Pois bem. Se você não diz, digo eu: tudo acabado entre nós. Digo olhando em seus olhos para que você não me chame de covarde. Digo em alto e bom som para você não achar que eu não sei o que estou falando. Digo com toda a lucidez que pode me acompanhar para que você não diga que isso é mais uma de minhas loucuras. Digo agora antes que eu sinta a sensação “de que já vou tarde”. Digo e repito: tudo acabado entre nós. Só não vou dizer que me arrependi, que você não foi homem o bastante para mim ou que eu não te amei. Eu não minto – embora eu seja boa em inventar mentiras – você sabe que eu não minto. Não me arrependo das coisas que eu faço. Prefiro o sabor do dissabor da derrota ao amargor do sentimento de não ter tentado. Homem para mim, você foi e muito. Me amou até que eu dissesse basta. Me ensinou a gemer como quem teme o desconhecido. Me fez ver o mais caloroso vapor do sexo. Fui puta porque você quis – mas eu gostei! E eu te amei. Amei loucamente, avassaladoramente, ferozmente, desesperadamente. Amei. Já uso o verbo no pretérito, percebe? Amei. Não amo mais. É assim comigo. Eu amo infinitamente até eu perceber que estou amando de menos a mim mesma. Não é culpa sua. Talvez, seja. Eu só quero dizer que você não me amou como eu te amei. Talvez, esse seja o teu jeito de amar. E esse é o meu, com certeza. Eu quero amor pago na mesma moeda. Você nunca me pagou igual. Pagou do seu jeito, é verdade. Mas eu cansei. Cansei de sonhar que você pode me dar exatamente o que eu quero. Não pode. Eu amo demais quando eu amo. Se recebo na mesma moeda, tudo bem. Senão, nada feito. Se eu ficar com você eu vou amar demais a você e de menos a mim. Não quero isso. Não sei se isso é egoísmo. Não me considero egoísta. Não é preciso que eu mencione que estamos cansados de nossas brigas. Elas eram de igual tamanho de nosso amor. Ninguém podia com elas. Nem mesmo nós. Mas amor acaba. E o nosso acabou. Acabou como a última gota daquela garrafa de vinho especial. Nos deixando com gosto de quero mais e só. Não tem mais vinho, não bebemos mais e pronto. Eu vou, você fica com tudo. O que não posso deixar está em meu coração. O resto é resto. Eu vou e lembre-se: tudo acabado entre nós. Ponto. Ponto final.


Image by Adnil on DeviantArt

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Primera Persona

“Apetite e sexo são os grandes motores da história, preservam e propagam a espécie,
provocam guerras e canções (...)”.

Isabel Allende in: Afrodita


Eu. Tudo que há dentro e fora de mim faz de mim quem sou. Não posso ser só. Sou plural. Sou um aglomerado de sentimentos, ideias, pessoas e coisas. Sou também um monte de órgãos, ossos, peles e gorduras. Eu. Não me tomes por outra. Sou quem sou. Inteira. Embora, às vezes, em partes. Fome parte de mim. Sinto fome de doces, especialmente. Doces que salgam e adoçam a boca. Sinto fome de você, unicamente. Meu sexo oposto. Você que me afoga em amor de cama. Sexo é desejo é fome. O doce me preserva a vida. Você não propaga a minha espécie. Eu sigo. Brigo por um doce. Brigo por você. Faço louvor ao doce. Faço louvor a você. As canções, ouço de ti. Vou aqui e allende. Volto. Me vejo eu, outra vez. Sou doce. Sou você. Como e me farto enfarto. Sobrevivo vivo eu. Alquimista de cozinha e cama. Eu.





Image by Heavencall on DeviantArt

sábado, 31 de julho de 2010

8 Pages

Her epiphany. She had her epiphany. An announcement to the end. It all was clear as she blinked her eyes. She loved him in soul and body. However, she knew the end was near. Epiphany counts the steps to the end of a story. At first love is excitement and energy. Lovers are able to have sex for uncountable hours just like animals in season. There is time to name the stars in the sky, dry drops of oceans, select every flake of snow. There is time to run going nowhere, to sing louder than Luciano Pavarotti, to write and read a whole bible of love messages. And then, the excitement was gone and the energy has vanished. She is tired. Tired of loving. Loving is hard. It is a pathogenic agent. It stills body vitality. Time says it is almost twenty years since his eyes met her smile. She is not a girl anymore. Told her the mirror. Time punishes bodies and lovers. “Let’s spend the night together?” I’m not in the mood. Sex only at holidays. No time to see stars, drops in oceans or flakes of snow. No time to run, to sing, to write or read. He counts the pages of her letters now: “Eight pages – front and back!” One of her friends dyed today. Another announcement to the end. Maybe Morrison was right. The end is our only friend. Something no one can escape from.





Image by *lostbooks on DeviantArt