segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Comício de Leitora

Bom, me vi aqui e ali nessa "mulher e seu ato beneficente", muito bem escrito e trabalhado. Mas eu sou mulher que dá chilique quando a cena pede e, aí, falo alto. Mas essas cenas são sempre curtas e, normalmente, acontecem com a mesma freqüência com que vemos duas luas no céu. Falo alto também quando vendo aula. Meus alunos, às vezes, parecem criança no parque. Ah! Os carrinhos de supermercado cabem ao meu marido. Ele tem mais força física que eu. Eu sigo a ponte da compreensão, sim. Não de tudo. Não compreendo quando se joga Vida fora. Acordo sempre ouvindo a música do dia. Acho que é isso que me anima e renova. Não suporto quando o som se repete. Parece que não saio do lugar - cada louco com a sua mania. Muita coisa me irrita ainda, talvez, porque eu coma pouco das bolinhas de açúcar. E, como mulher, desisti do meu signo cedo. Ele sempre mentiu pra mim. Não gosto de sufoco, muito menos de amigo que sufoca. Adorei a idéia de limpar os pés antes de sair de um lugar. Eu costumava me sacudir como cachorro molhado mas só limpar os pés, é mais clássico e mais parecido com o meu estilo. Sou mais democrática que socialista. Sou perseguida apenas pela gramática e pelos medos que ainda me restam. Entretanto, pavor eu só tenho de quem fala "elado" e escreve "crássico". Essa história do triatlo é que me cansa. Mas Ele está lá - fui escolhida pelo Amor mais perfeito. Por isso, devo confessar que acredito, ainda, em um mundo diferente. Todo pintado a mão com caixa de lápis Faber-Castle, 36 cores. A única coisa que mudaria nesse mundo é que eu o colocaria dentro de um caleidoscópio. Para que todas as pessoas pudessem ver um mundo ainda mais colorido a cada vez que olhassem para ele. As doações "dia e noite" são fundamentais para esse mundo novo. Começando por cada um de nós mesmos. É o nosso "ato beneficente" pessoal e coletivo. Acredito ainda que só o Amor - vivido e compartilhado - é que pode salvar esse nosso velho mundo. As contradições são como as voltas que uma moeda dá quando cai ao chão. Elas giram mas permanecem inteiras. Assim como os planetas de meu sistema solar que, descrevem dentro de outras linhas, o que eu sou enquanto estou...


Zélia

Em favor de "a mulher e seu ato beneficente" por Alice.